DO JORNAL ESTADO DE MINAS

O Corpo de Bombeiros confirmou na tarde desta sexta-feira que pelo menos 200 pessoas estão desaparecidas depois da tragédia na Barragem 1 da Mina Feijão, em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Vários órgãos, principalmente os de segurança, estão no local para definir estratégias de atendimento.

O Sistema de Comando de Operações está estruturado no Centro Social do Córrego do Feijão, nas proximidades do campo de futebol e da igreja católica. O campo está sendo usado como área de avaliação e triagem das vítimas para atendimento médico, além de estacionamento de viaturas.

Um posto para arrecadação de alimentos também foi montado na Faculdade Asa, de Brumadinho.

A operação mobiliza 51 bombeiros e seis aeronaves, que estão resgatando várias pessoas ilhadas em diversos pontos a todo momento.

Mais cedo, a Vale confirmou, por meio de nota, que havia empregados na área administrativa, atingida pelos rejeitos. A mineradora informa que o fato indica a possibilidade, ainda não confirmada, de vítimas.

Parte da comunidade da Vila Ferteco também foi atingida. A empresa avisa que o resgate e os atendimentos aos feridos estão sendo feitos no local pelo Corpo de Bombeiros e pela Defesa Civil.

“Ainda não há confirmação sobre a causa do acidente. A prioridade máxima da empresa, neste momento, é apoiar nos resgates para ajudar a preservar e proteger a vida de empregados, próprios e terceiros, e das comunidades locais. A Vale continuará fornecendo informações assim que confirmadas”, diz o texto.

A barragem do Córrego do Feijão, em Brumadinho, na Região Metropolitana, rompeu-se no fim da manhã desta sexta-feira (25). A barragem pertence à Vale.

Segundo as primeiras informações do Corpo de Bombeiros de Contagem, que atende o município, há vítimas e várias viaturas foram enviadas ao local, além de um helicóptero. Ainda segundo informações do Corpo de Bombeiros, a mineradora informou que apenas a área interna foi atingida.

Em nota, a Vale confirmou o rompimento da barragem. Há indicações de que os rejeitos atingiram a área administrativa da companhia e parte da comunidade da Vila Ferteco. Os assessores informam que ainda não há confirmação sobre feridos no local. A Vale acionou o Corpo de Bombeiros e ativou o seu Plano de Atendimento a Emergências para Barragens. “A prioridade total da Vale, neste momento, é preservar e proteger a vida de empregados e de integrantes da comunidade”, acrescentam.

Uma jovem moradora de Nova Lima, e 17 anos, informou que o pai dela “escapou de morrer” no rompimento da barragem em Brumadinho. “Agora estamos tranquilos porque meu pai entrou em contato com a minha mãe e disse que está tudo bem”, informou a adolescente. “Ela informou que o pai trabalha há muitos anos na mina como técnico, mas ela não soube dar mais detalhes sobre vítima.

A Prefeitura de Juatuba, cidade vizinha de Brumadinho, também emitiu um alerta na tarde desta sexta-feira. A administração direcionou o aviso aos moradores do Bairro Francelinos, que beira o Rio Paraopeba. A Defesa Civil de Juatuba e o Conselho Municipal De Desenvolvimento Ambiental (Codema) estão no local solicitando a retirada e máxima atenção da população, pois ainda não se sabe a gravidade do desastre.

A Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) enviou na tarde desta sexta-feira a Brumadinho uma equipe com quatro pessoas, que vão fazer levantamento sobre o licenciamento ambiental e tomar outras providências após o rompimento da Barragem Córrego dos Feijões, da mineradora Vale. A equipe inclui dos técnicos do Núcleo de Emergências Ambientais e mais duas da Fundação Estação do Meio Ambiente.

Mina seria ampliada

A secretária de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) informa que a Vale pretendia ampliar a mina do Córrego do Feijão por meio do licenciamento de unidade de tratamento de minério a seco. Esta mina e a de Jangada são contíguas e estão localizadas a cerca de 7 quilômetros do Parque Estadual da Serra do Rola Moça. Ambas pertencem à mineradora.

Veja mais detalhes sobre o licenciamento e as intervenções que estavam previstas para os locais:

“A respeito dos processos de licenciamento das minas de Jangada e Córrego do Feijão, a Semad informa que o Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam) aprovou, em 11 de dezembro, as licenças de operação dos dois empreendimentos, com oito votos favoráveis; um voto contrário (Fórum Nacional da Sociedade Civil nos Comitês de Bacias Hidrográficas – Fonasc); duas abstenções (Ibama e Cefet) e uma ausência (DNPM).

Imagem mostra lama de rompimento de barragem em MG — Foto: Corpo de Bombeiros/ Divulgação
Rompimento de barragem em Brumadinho

Os dois processos, pautados na ocasião na reunião da Câmara de Atividades Minerárias (CMI) do Copam, não tratam de licenciamento de barragens, mas sim de uma mudança no sistema de disposição de rejeitos, alterando de um modo considerado como de maior risco (barragem) para um modo de maior controle operacional, por meio de empilhamento e disposição em cava de mineração confinada (sem barragem). O empreendedor pretende, nesta licença, reaproveitar o rejeito disposto em barragem, reduzindo este volume e, paulatinamente, reduzindo também a altura da barragem.

No caso da Mina da Jangada trata-se de ampliação de cava; pilhas de rejeito/estéril e estradas para transporte de minério/estéril, externa ao limite do empreendimento. Sobre a mina do Córrego do Feijão, trata-se de expansão das atividades, por meio do licenciamento de unidade de tratamento de minério a seco; pilhas de rejeito/estéril; disposição de rejeito em cava, sem necessidade de construção de barramento; reaproveitamento de bens minerais dispostos em barragem; e instalação de mineroduto/rejeitoduto.”

Veja as imagens do rompimento da barragem de Brumadinho  das redes sociais desta sexta-feira.