Escaladores brasileiros estão desaparecidos na Patagônia Argentina

Ventos fortes, temperatura abaixo de 0°C e céu nublado. Adversidades climáticas dificultam a busca de autoridades argentinas pelos alpinistas brasileiros Leandro Iannotta e Fabrício Amaral nessa terça-feira. As condições extremas fizeram com que 19 socorristas do Centro Andino El Chaltén adiaassem os trabalhos no Monte Fitz Roy, situado na Patagônia argentina.

Leandro, de Minas Gerais, e Fabrício, do Espírito Santo, estão desaparecidos desde sexta-feira. No domingo, eles deveriam ter retornado ao acampamento, mas não deram notícia desde então e não foram vistos por outros alpinistas.

“Não houve condições ideais para subir. Os brasileiros seguem perdidos por aqui. Quando o tempo melhorar, vamos montar uma nova equipe para tentar o resgate. Infelizmente, até que o tempo melhore, não há muito o que se possa fazer. Caiu muita neve e está frio”, explicou, em nota, o Centro Andino El Chaltén, em contato com o Superesportes. O grupo atua voluntariamente no resgate, com apoio de um centro de saúde local e de equipes responsáveis pelo Parque Nacional Los Glaciares – único órgão oficial empenhado.

Em nota, a entidade ligada ao governo argentino disse que soube do desaparecimento dos brasileiros no domingo, mas o tempo impediu as buscas no dia. “Um grupo de equipes de resgate permanece na área chamada Paso Superior esperando que as condições climáticas melhorem para continuar com a busca dos brasileiros. Assim como um helicóptero da Gendarmaria Nacional, que está estacionado no Rio Gallegos para colaborar no operativo”, ressaltou a administração.

De acordo com os sites especializados Extremos e Blog de Escalada, a dupla estava subindo o Fitz Roy para escalar a via Franco Argentina. Na noite de segunda-feira, 16 socorristas iniciaram as buscas no local. Leandro Iannotta e Fabrício Amaral foram vistos pela última vez na sexta-feira, por volta de meio-dia, antes de o tempo na região ter piorado. Escaladores italianos foram os últimos a vê-los naquele dia.

Em postagem no Instagram, há uma semana, Leandro Iannotta comentou sobre as dificuldades na busca pela via Franco Argentina. “A primeira investida foi incrível. Caminhada longa por trilha, atravessar um glaciar até o ‘Passo Superior’, para depois escalarmos a Brecha dos Italianos, aproximadamente 250 metros de neve e rocha até a Silla”, disse. Em seguida, o esportista pediu forças para superar as limitações. “Com o vento forte que vinha do Cerro Torre, decidimos descer e esperar a próxima janela. Aprendendo a cada dia e, enquanto isso, sigo pedindo ao anjo da guarda escalador uma força. Vamos!”, publicou.

Escaladores brasileiros estão desaparecidos na Patagônia Argentina

Morte

Na sexta-feira, um alpinista tcheco, de 37 anos, foi dado como morto. Em entrevista ao portal argentino La Voz, a responsável por coordenar os resgates, Carolina Codó, disse que o europeu estava acompanhado de um amigo. O segundo envolvido sobreviveu às condições climáticas e informou que o companheiro estava morto na parede Sul do Monte Fitz Roy. De acordo com Carolina, os homens se perderam na rota. Para ela, nem mesmo o resgate do corpo será possível. “Nem mesmo com helicóptero podemos achar o corpo. A parede Sul está muito alta. Vamos comunicar os familiares e ver como prosseguimos”, afirmou a voluntária.

El Chaltén, onde os brasileiros se perderam, é o município mais recente da Argentina a ser emancipado. Sua fundação aconteceu em 1985, na província de Santa Cruz, na fronteira com o Chile. Trata-se de um dos principais destinos dos amantes do trekking e do montanhismo. A plataforma de turismo Booking.com classificou o município como um dos mais hospitalares do mundo – ao lado de lugares reconhecidos pelos viajantes ao redor do planeta, como Fernando de Noronha.

Fonte: MG Superesportes