Idosos representam o grupo que mais aumentou percentualmente entre os novos usuários da web

Do site G1

Em apenas 1 ano, o número de internautas no Brasil cresceu cerca de 10 milhões de pessoas, sendo que os idosos representam a faixa etária com maior crescimento de novos usuários da rede.

É o que aponta um levantamento divulgado nesta quinta-feira (20) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) feito no quarto trimestre de 2017. Ele faz parte das coletas da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD).

Veja outros destaques do estudo:

o número de domicílios com acesso à web subiu para 75% contra 69% em 2016;

a principal finalidade de acesso é enviar mensagens por aplicativos diferentes de e-mail, ou seja, redes sociais;

a área rural do país foi a que mais registrou expansão no número de domicílios conectados, que chegaram a 41%; nas áreas urbanas subiu para 80%;

o celular continua sendo o principal dispositivo para usar a internet, responsável por 98% dos acessos;

o número de domicílios que acessam a internet pela TV subiu de 11%, em 2016, para 16%; e o número de casas com computador e tablets continua caindo.

Número de internautas

Em 2017, segundo o IBGE, o país tinha 126,4 milhões de usuários de internet, o que representava 69,8% da população com 10 anos ou mais. Um ano antes, os internautas somavam 116,1 milhões, 64,7% da população.

Assim, de 2016 para 2017, o contingente de pessoas conectadas à rede mundial de computadores no Brasil aumentou em quase 9%.

“É um avanço bem expressivo e ocorreu em todos os grupos etários, com mais intensidade entre os idosos”, destacou a analista do IBGE Adriana Beringuy.

Idosos conectados

Dos 10 milhões de novos usuários de internet, 23% tinham 60 anos ou mais. “No mesmo período, a população idosa cresceu em cerca de 1 milhão, enquanto a população de 60 anos ou mais usuária de internet cresceu 2,3 milhões”, destacou a pesquisadora.

Em 2016, o percentual de idosos acessando a internet em relação ao total de internautas era de 24,7%, e saltou para 31,1% em 2017, uma variação de 25,9%. No grupo etário de 10 a 13 anos, a variação nesse período foi de 7,4%, e no de 14 a 17 anos, de 2,9%.

“O uso das tecnologias mais recentes, como é o caso da internet, tem adesão mais rápida entre os jovens. Mas, a rápida evolução das facilidades para o seu uso vem ampliando a sua disseminação entre todos os grupos etários e de ambos os sexos”, enfatizou o IBGE.

Distribuição percentual dos internautas brasileiros por grupo etário

Maioria das pessoas que acessam a internet no Brasil tem entre 25 e 39 anos

10 a 13 anos: 6,8 %

14 a 17 anos: 8,9 %

18 ou 19 anos: 4,8 %

20 a 24 anos: 11,2 %

25 a 29 anos: 10,5 %

30 a 34 anos: 10,7 %

35 a 39 anos: 10,7 %

40 a 44 anos: 9,2 %

45 a 49 anos: 7,6 %

50 a 54 anos: 6,8 %

55 a 59 anos: 5,1 %

60 anos ou mais: 7,7 %

Fonte: IBGE

Domicílios com acesso à internet

O número de domicílios com acesso à rede mundial de computadores também cresceu na passagem de 2016 para 2017. No primeiro ano da pesquisa, 69,3% dos lares brasileiros tinham equipamento conectado à internet, percentual que saltou para 74,9% em um ano.

De acordo com o IBGE, a área rural do país foi a que mais registrou expansão no número de domicílios conectados à rede – saltou de 33,6% para 41%, enquanto na área urbana foi de 75% para 80,1%.

“O mesmo tipo de evolução foi observado em todas as Grandes Regiões do país”, destacou o instituto.

Celular lidera

Em 2015, outro levantamento do IBGE mostrou que o celular se consolidou no Brasil como o principal meio de acesso à internet. Naquele ano, em 92,1% dos casos, o smartphone era usado para conexão à rede. Esse percentual aumentou para 97,2% em 2016, chegando a 98,7% no final de 2017.

Também vem crescendo o acesso à rede por meio de aparelhos de TV. Em 2016, 11,7% dos domicílios tinham a televisão como meio de conexão. No ano seguinte, esse percentual subiu para 16,1%.

Em contrapartida, microcomputador (incluindo desktops e notebooks) e tabletes têm caído cada vez mais em desuso. O percentual de domicílios com uso de PCs caiu de 57,8% em 2016 para 52,3% em 2017. Já o de tablets caiu de 17,8% para 15,5% no mesmo período.

Foco em rede social

A pesquisa do IBGE mostrou que a principal finalidade de acesso à internet no Brasil é enviar mensagens de texto, voz ou imagens por aplicativos diferentes de e-mail. Ou seja, o principal objetivo de quem se conecta à rede é o uso das redes sociais como Facebook, Instagram e Whatsapp.

Em seguida, a outra principal finalidade é a realização de chamadas de voz ou vídeo. Assistir a vídeos, incluindo programas de TV, séries e filmes aparece em terceiro lugar. Troca de e-mails aparece na quarta posição.

Regionalmente, a finalidade de acesso à rede é semelhante para o uso das redes sociais em todas as cinco regiões do país – varia entre 95,2% dos usuários no Sul do país e 95,8% no Centro-Oeste. Já para as outras três finalidades, há pequenas variações entre as regiões. A principal delas é em relação às trocas de e-mail. No Nordeste, 55,4% dos usuários usam o correio eletrônico, percentual que chega a 70,9% no Sul.

21 milhões não sabem acessar a internet

O levantamento feito pelo IBGE mostrou, ainda, que 54,7 milhões de brasileiros com 10 anos ou mais não se conectam à rede mundial de computadores. Constatou-se que 75,2% destas pessoas não sabem ou não têm interesse em acessar a internet.

Deste contingente de pessoas que não são internautas, os que disseram não saber acessar a rede representavam 38,5%, o que equivale a 21 milhões de pessoas.

Conforme pontuou a pesquisadora do Instituto, Adriana Beringuy, a questão financeira não é o maior impedimento para o uso da internet no Brasil. Dentre os que não acessam a rede, 13,7% justificaram ser caro o serviço. Outros 4,5% disseram considerar caro o equipamento necessário para navegar.

“Existe ainda um percentual importante da população que não sabe utilizar a tecnologia”, destacou a pesquisadora.

Essa condição é maior na urbana que na rural. Na primeira, 39,7% dos que disseram não acessar a rede responderam que não sabem como fazê-lo, contra 29,3% dos não internautas que residem em áreas rurais. A maior diferença entre os dois tipos de área é a disponibilidade do serviço – 12,9% na rural contra 1,7% da urbana.