Mark Zuckerberg, presidente do Facebook — Foto: AP Photo/Marcio Jose Sanchez

O Facebook compartilhou mais dados pessoais de seus usuários com gigantes tecnológicos como Microsoft, Amazon e Netflix do que tinha revelado até agora, segundo informou nesta quarta-feira (19) o jornal “The New York Times”.

O jornal nova-iorquino teve acesso a centenas de documentos internos da companhia de Mark Zuckerberg que revelam como compartilhou os dados sem o consentimento dos usuários, que atualmente somam 2,2 bilhões. A publicação disse também ter entrevistado cerca de 50 ex-funcionários e parceiros da empresa.

Em troca, o Facebook tinha acesso mais profundo às relações entre os usuários e poderia sugerir mais conexões, como aquelas que aparecem no recurso “Pessoas que você talvez conheça”.

O que foi acessado

O Facebook autorizou ao Bing, a plataforma de busca da Microsoft, a ver todos os nomes das amizades dos usuários do Facebook. À Netflix e ao Spotify permitiu ler as mensagens privadas.

A rede social também deu à Amazon acesso ao nome dos usuários e informações de contato e ao Yahoo permitiu ver publicações das amizades.

Algumas destas práticas ocorreram pelo menos até meados do ano. Quando atingido por múltiplos escândalos de privacidade, o Facebook tinha dito publicamente que já não permitia tais ações.

No total, cerca de 150 companhias se beneficiaram destes acordos para entrar nos dados do Facebook. A maioria é voltada à área de tecnologia, mas entre elas também havia lojas on-line, montadoras e empresas de comunicação, segundo a reportagem.

Facebook se defende

O diretor de privacidade do Facebook, Steve Satterfield, disse ao jornal que nenhuma parceria violou as regras de privacidade dos usuários ou os compromissos que a empresa assumiu com os reguladores federais.

“Nenhuma dessas parcerias ou recursos concedeu às empresas acesso a informações sem a permissão dos usuários, nem violaram nosso acordo de 2012 com a Comissão Federal do Comércio dos Estados Unidos (FTC, na sigla em inglês)”, também afirmou Konstantinos Papamiltiadis, diretor de plataformas de desenvolvedores e programas do Facebook, no site da empresa.

“Sabemos que temos que conquistar a confiança das pessoas de volta”, disse Satterfield ao jornal.”Proteger as informações das pessoas requer termos mais rígidos, uma melhor tecnologia e políticas mais transparentes, e é nisso que temos focado neste ano”, completou.

Ano de escândalos

Este não é o primeiro escândalo do ano para o Facebook. Em março, investigações apontaram que dados de usuários tinham sido usados pela empresa britânica Cambridge Analytica para fazer análise política e influenciar as eleições americanas de 2016. A empresa admitiu que 87 milhões de contas foram atingidas.

No último dia 6, uma investigação do governo britânico concluiu, após ter acesso a e-mails, que Zuckerberg apoiou compartilhamento de dados de usuários do Facebook, o que levou ao caso da Cambridge Analytica.

Porta-vozes do Spotify e da Netflix disseram ao “NY Times” que “não tinham conhecimento dos amplos poderes que o Facebook lhes concedeu”, enquanto o Yahoo negou ter utilizado informações para publicidade.

Fonte: Agência EFE